Gabi e Gustavo na varanda da cabana e Gabi de macacão e esqui na neve do Tennessee

Neve perto de Orlando: as duas viagens de carro que a gente fez (Blue Ridge, na Geórgia, e esqui no Tennessee)

Duas viagens de carro pra ver neve saindo de Orlando: a cabana e as luzes de Natal de Blue Ridge, na Geórgia, e o esqui na Ober Mountain, no Tennessee.

Gabi surpresa com a neve caindo na varanda da cabana em Blue Ridge, na Geórgia
A cara de surpresa na varanda da cabana em Blue Ridge: a previsão dava 20% de chance de neve, e ela caiu na primeira noite.

A primeira manhã no Tennessee começou com café numa cabana no meio das montanhas, do lado do Great Smoky Mountains, e com uma promessa no vídeo: se desse certo, a gente ia esquiar pela primeira vez na vida. Deu, numa aula na Ober Mountain. Antes disso, a gente já tinha ido atrás de neve em Blue Ridge, na Geórgia.

Blue Ridge é uma cidadezinha nas montanhas do norte da Geórgia, a umas 8 horas de Orlando: a viagem pra ver neve cair, com cabana, fogueira e festival de luzes de Natal. O Tennessee fica a umas 10 horas e foi a viagem do esqui.

Blue Ridge ou Tennessee: qual escolher

Blue Ridge (Geórgia)Gatlinburg e Ober Mountain (Tennessee)
Distância de carro~8h (9h com paradas)~10h
De aviãoAté Atlanta + 1h40 de carro~2h de voo + carro alugado
Pra quem éVer neve cair, cabana, clima de NatalEsquiar, neve garantida na pista
NeveNatural, sem garantiaNatural ou artificial na estação
DestaqueFestival de luzes e trem de NatalAula de esqui e a cidade de Gatlinburg
Gasto extraTrem de Natal (pago)Esqui: ~US$ 300 o casal iniciante

Resumindo: Blue Ridge é pra viver o inverno e o Natal, com chance de neve. O Tennessee é pra pisar na neve com certeza, porque a estação de esqui garante a pista branca mesmo quando o céu não ajuda.

Viagem 1: Blue Ridge, a neve mais perto de Orlando

Blue Ridge é uma cidadezinha de interior escondida nas montanhas do norte da Geórgia, com cara de filme de Natal americano: ruas charmosas, comércio local e um frio que faz sair fumacinha da boca.

Saímos de Celebration perto das 7h30 (o plano era 7h, você sabe como é família) com Orlando marcando 7 graus. Direto, são umas 8 horas; com paradas pra café e foto, deu 9.

Dica do Turistorlando: Blue Ridge não tem aeroporto comercial. Se não quiser dirigir, voe até Atlanta e alugue carro: são cerca de 1h40 até a cidade. Pra família grande, o road trip direto de Orlando costuma sair mais em conta.

A neve que ninguém prometeu

Fomos no início de dezembro, comecinho do inverno, e eu não esperava neve nenhuma. O Google dava 20 a 30% de chance pra noite; o app do celular dizia zero. Mesmo assim, os floquinhos começaram a cair na primeira noite e foram ficando mais fortes.

A real é que neve é loteria. Quanto mais fundo no inverno, janeiro e fevereiro, maior a chance de ver tudo branco. Dezembro tem a vantagem da decoração de Natal funcionando a todo vapor.

A cabana roubou a cena

Alugamos pelo Airbnb uma cabana chamada The Gatsby: por fora parece pequena, mas são três andares com pé-direito duplo, três quartos e quatro banheiros pra 9 pessoas, fogão a gás, estação de chocolate quente e milkshake, cestinha de boas-vindas em cada quarto e kit de banho completo. Do lado de fora, fogueira pra s’mores, churrasqueira e jacuzzi. Sentar naquela água quente com o frio lá fora é uma das melhores sensações do mundo.

Banheiro da cabana The Gatsby com paredes de madeira, roupões e toalhas
Um dos quatro banheiros da The Gatsby: madeira, roupão e kit de banho esperando a gente.
Família sentada em cadeiras ao redor da fogueira na área externa da cabana
A fogueira da cabana, com todo mundo de casaco esperando o marshmallow derreter.

Dica do Turistorlando: cabana com jacuzzi e fogueira some na alta temporada de Natal. Reserve com 2 a 3 meses de antecedência e confira a taxa de limpeza e o depósito no Airbnb, que podem pesar tanto quanto a diária. E leve do mercado o marshmallow, o chocolate e o biscoito dos s’mores.

O centrinho e o festival de luzes

Desça pro centrinho uns 15 minutos antes de escurecer: o forte ali é o festival de luzes de Natal, com árvore gigante, túnel de arcos iluminados, infláveis e o letreiro de boas-vindas. Os restaurantes e bares são todos locais, sem rede de fast food, incluindo uma cervejaria, a Tipping Point.

Árvore de Natal e coreto decorado no centrinho de Blue Ridge ainda de dia
O centrinho de Blue Ridge ainda de dia: a árvore e o coreto esperando escurecer.
Túnel de arcos de luz no festival de Natal de Blue Ridge à noite
O túnel de luzes já no escuro: é aí que vale estar no centrinho.

O trem de Natal (e o nosso vacilo)

No centrinho sai o Blue Ridge Scenic Railway, um trem de verdade que roda o ano todo e ganha a versão Holiday Express no fim do ano. A gente vacilou e não comprou antes: fomos numa terça, e o próximo trem só saía na quinta, dia em que já íamos embora. Pelo que vimos, ele roda mais de quinta a domingo. A Gingerbread Village também estava fechada no nosso dia de semana.

Folheto do Blue Ridge Scenic Railway na mão
O folheto do trem: confira os dias de operação antes de contar com ele.

Dica do Turistorlando: compre o ingresso do trem de Natal online, com antecedência, e monte a viagem pra incluir uma sexta ou um sábado. Os horários temáticos esgotam em dezembro, e no meio da semana muita atração da cidade simplesmente não abre.

Comida de cabana: pina colada e entrevero

Com cozinha completa, rolou o sul do Brasil em plena Geórgia: entrevero com linguiça blumenau e pinhão trazidos na mala, e a pina colada do Gustavo, que até eu, que não gosto de abacaxi nem de coco, aprovei.

Pina colada do GustavoQuantidade
Leite condensado45 ml
Leite de coco45 ml
Rum60 ml
Suco de abacaxi180 ml
Geloa gosto
Gustavo servindo a pina colada cremosa num copo na cozinha da cabana
A pina colada saindo do liquidificador na cozinha da cabana: cremosa e perigosa.

Viagem 2: esquiar no Tennessee

A segunda viagem foi com um grupo de amigos pro Tennessee, numa cabana ao lado do Great Smoky Mountains National Park, o parque nacional mais visitado dos Estados Unidos. De carro foram 10 horas; os amigos com bebê preferiram voar (cerca de 2 horas) e alugar carro na chegada.

Gabi e Gustavo dentro do carro a caminho do Tennessee
Dez horas de estrada saindo de Orlando rumo às montanhas do Tennessee.

A cabana: sinuca, Pac-Man e espaço pra quatro casais

A cabana tinha quatro quartos em três andares, suítes com banheira e tudo equipado, de toalha a roupa de cama. No andar de baixo, mesa de sinuca, fliperama de Pac-Man e jogos; do lado de fora, quadra de pickleball, basquete e futebol americano. Na chegada, só passamos no Walmart pra comprar comida.

Casal de amigos com o bebê no sofá da sala da cabana no Tennessee
A sala da cabana virou ponto de encontro do grupo.
Área de jogos da cabana com bancos altos, bola de basquete e paredes de madeira
O andar de baixo da cabana, com a área de jogos.

Em grupo, dividam o aluguel da cabana entre os casais. O custo por pessoa despenca e a cozinha completa corta o gasto com restaurante. Com bebê, pese bem o voo: 10 horas de carro com criança pequena cansam.

Ober Mountain: a estação de esqui

A meia hora da cabana fica a Ober Mountain, a principal estação de esqui da região, no alto de uma estrada bem íngreme. No nosso dia tinha atendente brasileira e um grupo de uns 20 brasileiros na pista. A central tem restaurante, brinquedos e até carrossel; você preenche o termo de responsabilidade e aluga capacete, bota e macacão.

Pista de esqui da Ober Mountain vista do estacionamento, com a montanha ao fundo
A primeira visão da Ober Mountain, chegando pelo estacionamento.
ItemCusto aprox. (US$)
Pacote iniciante pro casal, com aula e capacete~300
Óculos de neve (adicional)10 a 15
Almoço na estação (pizza)~14 com taxa

O pacote iniciante já incluía a aula, e sem ela o preço era quase o mesmo, então valeu muito. Fomos em dia de semana, com ticket mais barato e pista mais vazia, ótimo pra quem vai cair muito.

Gabi de capacete ao lado dos trenós coloridos e da pista de neve da Ober Mountain
De capacete, pronta pra primeira aula de esqui.

A aula: mais fácil do que parece

A aula durou uns 45 minutos, com turmas separadas de esqui e snowboard. Minha conclusão surpreendeu até a mim: esquiar não é tão difícil. Levei dois tombos, mas fiquei em pé e desci. Pra parar, é o famoso “pizza”: pontas dos esquis juntas, formando uma fatia, e o corpo pra frente. O difícil mesmo é a curva, foi nela que eu caí.

Depois do esqui, ainda rolou churrasco brasileiro na cabana, com T-bone, fraldinha, vinagrete e a farofa de Floripa que veio na mala.

Gatlinburg: a cidade de cinema

A uns 30 minutos da cabana fica Gatlinburg, a principal cidade da região, toda rústica e de madeira, com a rua principal cheia de lojinhas, aquário, sorveteria e até cabine telefônica vermelha. Tem estacionamento público barato e sem limite de tempo. Dentro, o The Village lembra o Beco Diagonal, com cafés e lojas de vela e de molho de pimenta. No Waffle Delice, o chocolate quente foi um dos melhores que já tomei nos Estados Unidos.

Rua de Gatlinburg com lojas de madeira e as montanhas ao fundo
Gatlinburg parece cenário de filme, com as montanhas fechando o horizonte.
Máquina de fazer doce na vitrine de uma loja de Gatlinburg
A máquina de puxar bala na vitrine de uma doceria de Gatlinburg.

E você, toparia 8 ou 10 horas de estrada pra ver neve? Ficaria com a cabana e as luzes de Blue Ridge ou com o esqui no Tennessee? Conta nos comentários.

Quando ir pra ter mais chance de neve

  • Dezembro: começo do inverno. Neve possível, mas incerta; em compensação, todo o clima de Natal montado.
  • Janeiro e fevereiro: a maior chance de neve natural, nos dois destinos.
  • Março: fim de temporada. Na Ober Mountain, a pista pode estar com neve artificial, como pegamos.

Pra quem nunca viu neve, a estratégia mais segura é a estação de esqui: mesmo sem nevar no dia, a pista está branca.

Vale a pena sair de Orlando pra ver neve?

Prós

  • Os dois destinos de neve mais acessíveis de carro a partir de Orlando
  • Cabanas espaçosas e equipadas, ótimas pra família e grupo
  • Blue Ridge com clima de Natal de cinema e comércio local
  • Esqui mais fácil do que parece, com aula incluída no pacote iniciante
  • Gatlinburg cheia de coisa pra fazer a pé

Contras

  • 8 a 10 horas de carro: não é bate-volta
  • Neve natural nunca é garantida
  • Em dia de semana, trem e atrações de Blue Ridge podem estar fechados
  • O esqui pesa no orçamento (~US$ 300 o casal iniciante)

Informações práticas

  • Blue Ridge (Geórgia): ~8h de carro de Orlando; aeroporto mais próximo em Atlanta (~1h40); 3 a 4 dias bastam
  • Gatlinburg e Ober Mountain (Tennessee): ~10h de carro ou ~2h de voo; ao lado do Great Smoky Mountains
  • Hospedagem: cabanas pelo Airbnb; reserve 2 a 3 meses antes no Natal
  • Esqui: pacote iniciante com aula e capacete por ~US$ 300 o casal; dia de semana é mais barato
  • Trem de Natal de Blue Ridge: compre online; roda mais de quinta a domingo
  • Melhor época pra neve: janeiro e fevereiro

Perguntas frequentes

Onde ver neve perto de Orlando?

Os dois lugares que a gente testou de carro foram Blue Ridge, no norte da Geórgia (~8h), e a região de Gatlinburg, no Tennessee (~10h), onde fica a estação de esqui Ober Mountain.

Neve é garantida?

Natural, não. Janeiro e fevereiro têm mais chance. Numa estação de esqui, a pista fica branca mesmo sem nevar no dia.

Quanto custa esquiar na Ober Mountain?

O pacote iniciante pro casal, com aula e capacete, saiu por cerca de US$ 300 em dia de semana.

Esquiar é difícil pra quem nunca foi?

Menos do que parece. Descer e parar é tranquilo depois da aula; o difícil é fazer as curvas.

Vale levar criança?

Vale. Em Blue Ridge, o festival de luzes e o trem de Natal; no Tennessee, a cabana com jogos e a área infantil da estação.

Leia também

Assista aos vídeos completos

Se o vídeo não abrir aqui:

  • Blue Ridge, a neve mais perto de Orlando: https://www.youtube.com/watch?v=7wPCRod98GI
  • Esqui no Tennessee e Gatlinburg: https://www.youtube.com/watch?v=dafsP1PkUq8

Você já viu neve de verdade alguma vez, ou a primeira vai ser numa dessas viagens?

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